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historietas


Toca Que Me Toca

Depois de ler esta letra me diga se não podia ser do Renato Russo, da Legião Urbana

A Canção do Senhor da Guerra

Existe alguém esperando por você
Que vai comprar a sua juventude
E convencê-lo a vencer

Mais uma guerra sem razão
Já são tantas as crianças com armas na mão
Mas explicam novamente que a guerra gera empregos
Aumenta a produção

Uma guerra sempre avança a tecnologia
Mesmo sendo guerra santa
Quente, morna ou fria
Pra que exportar comida?
Se as armas dão mais lucros na exportação

Existe alguém que está contando com você
Pra lutar em seu lugar já que nessa guerra
Não é ele quem vai morrer

E quando longe de casa
Ferido e com frio o inimigo você espera
Ele estará com outros velhos
Inventando novos jogos de guerra

Que belíssimas cenas de destruição
Não teremos mais problemas
Com a superpopulação
Veja que uniforme lindo fizemos pra você
E lembre-se sempre que Deus está
Do lado de quem vai vencer

O senhor da guerra
Não gosta de crianças

FALA QUE TE ESCUTO



Escrito por Cavalcanti de Albuquerque às 09h47
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Amanhã Eu Vou Lá Hoje

Escrito por Cavalcanti de Albuquerque às 17h35
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Conhecendo O Conhecido

A bomba
Autor: Carlos Drummond  de Andrade



A bomba
é uma flor de pânico apavorando os floricultores
A bomba
é o produto quintessente de um laboratório falido
A bomba
é estúpida é ferotriste é cheia de rocamboles
A bomba
é grotesca de tão metuenda e coça a perna
A bomba
dorme no domingo até que os morcegos esvoacem
A bomba
não tem preço não tem lugar não tem domicílio
A bomba
amanhã promete ser melhorzinha mas esquece
A bomba
não está no fundo do cofre, está principalmente onde não está
A bomba
mente e sorri sem dente
A bomba
vai a todas as conferências e senta-se de todos os lados
A bomba
é redonda que nem mesa redonda, e quadrada
A bomba
tem horas que sente falta de outra para cruzar
A bomba
multiplica-se em ações ao portador e portadores sem ação
A bomba
chora nas noites de chuva, enrodilha-se nas chaminés
A bomba
faz week-end na Semana Santa
A bomba
tem 50 megatons de algidez por 85 de ignomínia
A bomba
industrializou as térmites convertendo-as em balísticos
interplanetários
A bomba
sofre de hérnia estranguladora, de amnésia, de mononucleose,
de verborréia
A bomba
não é séria, é conspicuamente tediosa
A bomba
envenena as crianças antes que comece a nascer
A bomba
continua a envenená-las no curso da vida
A bomba
respeita os poderes espirituais, os temporais e os tais
A bomba
pula de um lado para outro gritando: eu sou a bomba
A bomba
é um cisco no olho da vida, e não sai
A bomba
é uma inflamação no ventre da primavera
A bomba
tem a seu serviço música estereofônica e mil valetes de ouro,
cobalto e ferro além da comparsaria
A bomba
tem supermercado circo biblioteca esquadrilha de mísseis, etc.
A bomba
não admite que ninguém acorde sem motivo grave
A bomba
quer é manter acordados nervosos e sãos, atletas e paralíticos
A bomba
mata só de pensarem que vem aí para matar
A bomba
dobra todas as línguas à sua turva sintaxe
A bomba
saboreia a morte com marshmallow
A bomba
arrota impostura e prosopéia política
A bomba
cria leopardos no quintal, eventualmente no living
A bomba
é podre
A bomba
gostaria de ter remorso para justificar-se mas isso lhe é vedado
A bomba
pediu ao Diabo que a batizasse e a Deus que lhe validasse o batismo
A bomba
declare-se balança de justiça arca de amor arcanjo de fraternidade
A bomba
tem um clube fechadíssimo
A bomba
pondera com olho neocrítico o Prêmio Nobel
A bomba
é russamenricanenglish mas agradam-lhe eflúvios de Paris
A bomba
oferece de bandeja de urânio puro, a título de bonificação, átomos
de paz
A bomba
não terá trabalho com as artes visuais, concretas ou tachistas
A bomba
desenha sinais de trânsito ultreletrônicos para proteger
velhos e criancinhas
A bomba
não admite que ninguém se dê ao luxo de morrer de câncer
A bomba
é câncer
A bomba
vai à Lua, assovia e volta
A bomba
reduz neutros e neutrinos, e abana-se com o leque da reação
em cadeia
A bomba
está abusando da glória de ser bomba
A bomba
não sabe quando, onde e porque vai explodir, mas preliba
o instante inefável
A bomba
fede
A bomba
é vigiada por sentinelas pávidas em torreões de cartolina
A bomba
com ser uma besta confusa dá tempo ao homem para que se salve
A bomba
não destruirá a vida
O homem
(tenho esperança) liquidará a bomba.


Escrito por Cavalcanti de Albuquerque às 12h18
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Sonhos De Uma Noite De Insônia

O Suicídio de Judas
Autor: Cavalcanti de Albuquerque

Os olhos permaneciam negros
ódio, rancor, talvez remorso
Se arrependimento matasse
o suicídio não seria preciso
e serias o primeiro a fugir
do medo, com medo, por medo.

Do beijo jorrava podridão
os cegos que viram não falaram
palavras infames, mortais
imortais literários escreveriam
obras e mais obras de amor
se o destino não estivesse escrito.

O ambiente era a escuridão
não se viu elfos, duendes, doentes
muito sorriso pelas lágrimas
caídas, roladas, transformadas
em sangue, em vinho, em nada:
deu-se em plena madrugada.

Haviam árvores de triste aspecto
macabras, sombrias, suando frio
nem se percebe naquele instante
o que vem logo adiante:
um beijo, um tiro fulminante
um grito silencioso de misericórdia.

A morte depois da dor
a dor depois da queda
a queda depois da traição
a traição depois do amor:
os olhos perseguem e seguem
Aonde quer que tu vá, traidor!

Fosges de quem te condena
condena quem te faz fugir
biltre, não percebes,
o que vem a frente
Mente, se preciso for
fere quem te machuca:

Agora voltas a vida
Que te tomei
Multiplicai-vos,
eis tua maldição...

QUEM LÊ, COMENTA!!!

e não deixem de ler:http://cavalcantidealbuquerque.sites.uol.com.br/infidelidade.html

 



Escrito por Cavalcanti de Albuquerque às 09h41
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